O Conselho Federal da OAB promoveu, nesta sexta-feira (24/7), o evento virtual “Julho das Pretas – Memória, Territórios e Futuro”, que reuniu representantes da advocacia, especialistas e integrantes da sociedade civil para discutir o protagonismo das mulheres negras, os desafios da representatividade e a construção de políticas de igualdade racial e reparação.
A secretária-geral do Conselho Federal da OAB, Rose Morais, enfatizou a atuação da instituição com a promoção da igualdade racial e a ampliação da participação de mulheres negras nos espaços de decisão. “A participação de mulheres, mas principalmente de mulheres negras nesses espaços, é um compromisso de todos e de todas nós. Temos o dever de trazer essa pauta não somente no Julho das Pretas, mas durante todos os meses do ano”, disse.
A presidente da Comissão Nacional de Promoção da Igualdade, Clara Arlene Ferreira, destacou o papel da mobilização coletiva na transformação da realidade. “Nossa construção sempre será coletiva e os nossos corpos sempre serão instrumento de transformação. Nós estamos aqui a construir para nós e para aqueles que ainda virão”, afirmou.
Memória e representatividade
O primeiro painel, “Memórias: Lugar de Memória, Construção e Autonomia”, reuniu a presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB-RS, Janaina Magali Cordeiro, responsável pela condução dos trabalhos, a conselheira estadual da OAB-PR Maria Lucilda Santos, que mediou o debate, e as ex-presidentes das Comissões de Igualdade Racial da OAB-BA e da OAB-PA, Silvia Cerqueira e Suena Mourão.
Ao falar sobre Esperança Garcia, reconhecida pelo Conselho Pleno da OAB, em 2022, como a primeira advogada brasileira, Suena Mourão ressaltou o significado desse reconhecimento para a própria história da advocacia. “Esperança fez isso quando o ordenamento jurídico a tratava como propriedade, e não como sujeito de direitos. Mais de dois séculos depois, o Conselho Pleno da OAB a reconheceu como a primeira advogada brasileira. O que aconteceu em 2022 foi que a principal instituição da advocacia brasileira corrigiu a própria memória e ampliou a compreensão sobre as origens da nossa profissão”, afirmou.
Silvia Cerqueira relembrou ainda a mobilização da OAB durante a pandemia, que resultou na publicação da obra Desafios das Advogadas Negras no Exercício da Profissão, com textos de 18 autoras. “O que moveu naquele momento a instituição foi a triste constatação da falta de representatividade nas estruturas da organização e, para além disso, a forma marginalizada como a advocacia feminina negra era encarada no sistema de Justiça brasileiro”, afirmou.
Novos espaços para mulheres negras
O segundo painel, “Territórios: Lideranças Negras e Inovação, Construindo Novos Espaços”, foi conduzido pela presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB-AC, Mary Barbosa Eusebio, com mediação da presidente da Regional de Estância da OAB-SE, Guadalupe Machado.
A advogada e presidente da rede Black Sister, Dione Assis, compartilhou a trajetória de criação da iniciativa, fundada em 2022 diante da baixa representatividade de mulheres negras no mundo jurídico. “Nosso propósito é conectar as colegas com oportunidades reais e dignas no mercado jurídico. […] Se existe esse mercado, por que esses contratos não chegam até nós?”, questionou.
Democracia e reparação
O painel de encerramento, “Democracia, Constituição e Reparação”, reuniu a secretária-geral adjunta da OAB-SP, Viviane Scrivani, e a presidente da Comissão Nacional da Mulher Advogada e conselheira federal por São Paulo, Dione Almeida. A mesa foi presidida por Mary Barbosa Eusebio e mediada por Cibele Alexandra, integrante da Comissão Nacional da Verdade da Escravidão Negra no Brasil do CFOAB.
Dione Almeida chamou atenção para a dificuldade de reconhecimento das mulheres negras nos espaços de destaque da profissão. “Quando se pensa em uma advocacia de sucesso, a sociedade não visualiza uma mulher negra, porque elas nunca estiveram dentro desse jogo. E, agora que estão, elas precisam ser vistas”, afirmou.
Viviane Scrivani, por sua vez, defendeu a reparação histórica como instrumento de transformação social e de ampliação da participação das mulheres negras nos espaços de decisão. “A reparação não é um privilégio, não é uma concessão, não é um favor. Ela é uma categoria jurídica. Não é uma opinião: é uma norma constitucional, uma decisão do Supremo e também um compromisso internacional”, ressaltou.
Ao encerrar o evento, Reúbia Costa Fernandes, integrante da Comissão Especial da Diversidade Sexual do CFOAB, destacou a responsabilidade coletiva de transformar o presente para construir novas possibilidades de futuro.
O Conselho Federal da OAB promoveu, nesta sexta-feira (24/7), o evento virtual “Julho das Pretas – Memória, Territórios e Futuro”, que reuniu representantes da advocacia, especialistas e integrantes da sociedade civil para discutir o protagonismo das mulheres negras, os desafios da representatividade e a construção de políticas de igualdade racial e reparação.AssistaA secretária-geral do Conselho Federal da OAB, Rose Morais, enfatizou a atuação da instituição com a promoção da igualdade racial e a ampliação da participação de mulheres negras nos espaços de decisão. “A participação de mulheres, mas principalmente de mulheres negras nesses espaços, é um compromisso de todos e de todas nós. Temos o dever de trazer essa pauta não somente no Julho das Pretas, mas durante todos os meses do ano”, disse.A presidente da Comissão Nacional de Promoção da Igualdade, Clara Arlene Ferreira, destacou o papel da mobilização coletiva na transformação da realidade. “Nossa construção sempre será coletiva e os nossos corpos sempre serão instrumento de transformação. Nós estamos aqui a construir para nós e para aqueles que ainda virão”, afirmou.Memória e representatividadeO primeiro painel, “Memórias: Lugar de Memória, Construção e Autonomia”, reuniu a presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB-RS, Janaina Magali Cordeiro, responsável pela condução dos trabalhos, a conselheira estadual da OAB-PR Maria Lucilda Santos, que mediou o debate, e as ex-presidentes das Comissões de Igualdade Racial da OAB-BA e da OAB-PA, Silvia Cerqueira e Suena Mourão.Ao falar sobre Esperança Garcia, reconhecida pelo Conselho Pleno da OAB, em 2022, como a primeira advogada brasileira, Suena Mourão ressaltou o significado desse reconhecimento para a própria história da advocacia. “Esperança fez isso quando o ordenamento jurídico a tratava como propriedade, e não como sujeito de direitos. Mais de dois séculos depois, o Conselho Pleno da OAB a reconheceu como a primeira advogada brasileira. O que aconteceu em 2022 foi que a principal instituição da advocacia brasileira corrigiu a própria memória e ampliou a compreensão sobre as origens da nossa profissão”, afirmou.Silvia Cerqueira relembrou ainda a mobilização da OAB durante a pandemia, que resultou na publicação da obra Desafios das Advogadas Negras no Exercício da Profissão, com textos de 18 autoras. “O que moveu naquele momento a instituição foi a triste constatação da falta de representatividade nas estruturas da organização e, para além disso, a forma marginalizada como a advocacia feminina negra era encarada no sistema de Justiça brasileiro”, afirmou.Novos espaços para mulheres negrasO segundo painel, “Territórios: Lideranças Negras e Inovação, Construindo Novos Espaços”, foi conduzido pela presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB-AC, Mary Barbosa Eusebio, com mediação da presidente da Regional de Estância da OAB-SE, Guadalupe Machado.A advogada e presidente da rede Black Sister, Dione Assis, compartilhou a trajetória de criação da iniciativa, fundada em 2022 diante da baixa representatividade de mulheres negras no mundo jurídico. “Nosso propósito é conectar as colegas com oportunidades reais e dignas no mercado jurídico. […] Se existe esse mercado, por que esses contratos não chegam até nós?”, questionou.Democracia e reparaçãoO painel de encerramento, “Democracia, Constituição e Reparação”, reuniu a secretária-geral adjunta da OAB-SP, Viviane Scrivani, e a presidente da Comissão Nacional da Mulher Advogada e conselheira federal por São Paulo, Dione Almeida. A mesa foi presidida por Mary Barbosa Eusebio e mediada por Cibele Alexandra, integrante da Comissão Nacional da Verdade da Escravidão Negra no Brasil do CFOAB.Dione Almeida chamou atenção para a dificuldade de reconhecimento das mulheres negras nos espaços de destaque da profissão. “Quando se pensa em uma advocacia de sucesso, a sociedade não visualiza uma mulher negra, porque elas nunca estiveram dentro desse jogo. E, agora que estão, elas precisam ser vistas”, afirmou.Viviane Scrivani, por sua vez, defendeu a reparação histórica como instrumento de transformação social e de ampliação da participação das mulheres negras nos espaços de decisão. “A reparação não é um privilégio, não é uma concessão, não é um favor. Ela é uma categoria jurídica. Não é uma opinião: é uma norma constitucional, uma decisão do Supremo e também um compromisso internacional”, ressaltou.Ao encerrar o evento, Reúbia Costa Fernandes, integrante da Comissão Especial da Diversidade Sexual do CFOAB, destacou a responsabilidade coletiva de transformar o presente para construir novas possibilidades de futuro.Assista
OAB – 37ª Subseção São João da Boa Vista